Voracidade

Quis o mundo só para si, arrebanhá-lo com latidos furiosos e levá-lo para casa na forma de notas bancárias e títulos de propriedade. Como a sua fome era muita, começou a trinchar e a devorar o mundo, à garfada e à colherada, e depois, deixando de lado as regras de etiqueta, pegava no osso com as mãos para mais fundo enterrar os dentes na carne besuntada. Como a sua fome não diminuía, continuava a comer, inchado e a arrebentar pelas costuras, até que estas cederam e estoirou como um balão. As autoridades tiveram de remover as suas entranhas e tripas das paredes da Bolsa de Valores.

Sem comentários:

Enviar um comentário

arenga sobre o amor

«Tu és a mulher amada: destrói-me! Tua beleza /Corrói minha carne como um ácido! Teu signo / É o da destruição! Nada resta / Depois de ti ...