Fénix

Quando Félix de Andrada (o apelido não era o original), irrompeu no cenário cultural português, quase nada se sabia dele. Fizera fortuna em França, e em tal grau que lhe permitiu tornar-se um mecenas e patrono das artes. Os maledicentes afirmavam que a sua fortuna tinha por origem a agiotagem e o tráfico de droga, os mais acomodados, propagavam a lenda áurea que fazia dele um membro da antiga aristocracia nacional, um sempre-rico que passara uns anos em França para enriquecer a sua colecção de arte.
A verdade, ignorada, sobre Félix de Andrada, é que a origem da sua fortuna fora um roubo audacioso - subira à força de braços, pelos cabos de aço de um ascensor avariado, para chegar ao Penthouse de um Hotel, e roubar a fortuna em jóias guardada nos aposentos de um barão da droga. Essas jóias quase não tinham protecção (excesso de confiança do seu proprietário), e enquanto a polícia e inquiridores privados se debatiam com um crime que continuaria sem solução, Félix instalava-se em França, lavando o seu dinheiro com a aquisição de propriedades e obras de arte.
Anos mais tarde, um dos seus biógrafos menos inflamados diria de Félix de Andrada, que ele subira na vida a pulso.

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