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Bloqueio

"As palavras não saem" - gemia aflito o prosador - "As palavras não saem, acudam-me que elas não saem". A prima robusta veio aos saltos, galgando os degraus da escada de três em três, segurou-o pelos fundilhos das calças, levantou-o ao ar aplicando-lhe nas costas umas palmadas valentes para desentalar as palavras. Mas nada. O outro já chorava: "Sufoco! Ai que sufoco!". Já a mulher lhe fazia a Manobra de Heimlich, com gestos ritmados e enérgicos, enquando orava a Deus Nosso Senhor. Quando já estava a desistir, a sua amiga morena entrou no escritório com um desentupidor de ralos em punho, deita-o de costas no chão e toca a bombear a ventosa sobre a boca a ver se as libertava. O prosador olha em volta e começa a acenar muito com ambos os braços. As três estavam seminuas, os rostos afogueados, a saliva e o baton mesclando-se nas partes desnudadas.
Voltou a gritar: "Um ménage à trois, um arraial de sexo na minha casa, e eu aqui preocupado com a porcaria das palavras".

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...