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Desconexo

Ele podia estar muito longe, do outro lado do mundo, entrevistando monges na Birmânia ou mirando os coatis numa árvore dos trópicos. Mas está ali mesmo, ao lado, na cama e na sala, em todas as divisões da casa onde os seus corpos vivem se estorvando, rebeldes. A distância do seu silêncio constrangido faz parecer mesmo que ele está do outro lado do mundo.
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Por desleixo, deixou expirar o anti-vírus do seu computador. E agora, tinha a preocupação de não espirrar sobre o teclado.
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Sem saberem que ele ainda estava vivo, o enterraram. Como a terra estava fresca, abriu uma nesga no caixão e conseguiu esgueirar-se. O coveiro ouviu depois uns sons estranhos e decidiu averiguar.
A enxada o colheu pelo alto da cabeça, quando abria caminho para a superfície, comendo terra.
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Depois de ter vencido a montanha K2, o que mais apreciou foi voltar para a sua amada, e conquistar sem acampamentos de base, aqueles píncaros com mamilos sem neve no cume.
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Comprou um aquário e o povoou de peixinhos escolhidos a dedo na loja de animais. Misteriosamente, eles foram morrendo um a um. Quando só havia dois, testemunhou uma cena elucidativa: o maior deles atacando o outro, fora aquele peixe carnívoro quem lhe dizimara o cardume inteiro. Com um grito de raiva, pegou no peixe e o atirou pela sanita abaixo. Logo depois, vestiu o seu calção de banho de listas brancas e vermelhas, e tomou o seu lugar no aquário.
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Não custa encontrar a felicidade. O que custa mesmo é ser honesto e ter de escrever aquele papel anunciando o que se encontrara, prometendo entregá-la a quem provar ser o seu dono.

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...