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September rain

Sentia-se cansado, o médico dizia que estava à beira de um esgotamento. Tinha-lhe receitado medicamentos, um pó para beber diluído na água em jejum, e uma catrefa de comprimidos para a cabeça, para as muitas coisas que a sua cabeça tinha em falta ou em excesso. Mas ele não tomava nada, agoniava-se só de pensar nisso porque tinha um estômago fraco. Fez do seu carro a sua morada, conduzindo sem destino num dia de chuva, agarrado ao volante como à roda do leme de um navio desgovernado. Inerte e indiferente, via as ruas e casas desfilarem de um lado e do outro, lavadas em água. Não tomava sentido nas direcções nem nas ruas que cruzava, parando apenas para atestar o depósito antes de voltar a singrar pelo mundo sob uma luz mortiça. No meio de tantas silhuetas e volumes liquefeitos, reconheceu o muro fronteiro da sua casa. Parou o carro, e saiu com um pé ainda no interior e o motor a trabalhar. Já não se lembrava de quando saíra dali, nem porquê. Devia continuar ou ficava um pouco? Não se decidia e só tomou o caminho do portão, empurrado pela fome que sentia. Não se ia demorar. Estava tudo aberto e, todo encharcado, entrou em casa e deu de caras com dois homens de gabardina que o esperavam. Eram polícias, tinha havido um crime violento naquela casa, informaram. Não reagiu, com o olhar fixo na chuva que entrava pela porta entreaberta. Era isso! O sangue! Chovera tanto, mas a chuva não havia lavado o sangue!

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...