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Naturalmente

Enquanto o jovem recebia tratamento na enfermaria, decidiram chamar a polícia. Era uma ocorrência anormal: tinha a planta dos pés com queimaduras graves, nódulos de pele e carne queimada aureolados por cinza e lâminas de carvão. Vieram dois polícias, carrancudos e desconfiados, à espera de um satânico saído dum ritual macaco, com relutância em responder às perguntas. Nada mais erróneo. O rapaz era surfista, todo simpatia e good vibrations, exsudando Sol e vento marinho. Não é o que estão a pensar, adiantou, foi apenas uma desconcentração. Então diga-nos o que é que nós não estamos a pensar, ironizou um deles, empunhando o bloco de notas com aquele ar literário dos polícias passa-multas.
Há um mês atrás estive com uns amigos em Nuku-Hiva numa prova de surfe, e aí aprendemos umas coisas com um xamã polinésio. Ontem, depois de um dia inteiro no mar e moídos por uma festa de praia com muita dança e muita bebida, decidimos fazer uma demonstração. Enquanto preparavam uma cama de brasas na areia, nós entoávamos os cânticos rituais e os exercícios respiratórios que nos tornariam capazes de caminhar sobre elas sem nos queimarmos. Os meus amigos começaram a prova e eu fiquei para último. Não sei se foi da bebida ou se era por estar mesmo exausto, mas quando estava a meio do percurso, passei pelas brasas...

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...