Pronomes possessivos

Desde que o filho nascera, teve a preocupação de separar as águas, se o filho fazia uma graça, ficava bem numa foto ou atraía a simpatia das visitas, logo ele enchia a boca com o meu filho. E se, ao invés, o filho não comia, fazia birra ou custava a aturar, apressava-se a mudar o discurso: "Sabes o que o teu filho fez hoje?...". A mulher rapidamente se habituou àquela parcialidade, que o marido não se cansou de enfatizar à medida que o rapaz crescia: "Viste como o meu filho trata a bola por tu, é aquela familiaridade com a bola que dita os verdadeiros artistas, vê-se bem a que costado da família ele foi buscar os genes", ou "o teu filho é um cábula e um preguiçoso, carrega resíduos das pessoas obscuras que te deram o sobrenome, escumalha de varredores de rua e pintores de parede". No dia do seu décimo segundo aniversário, a mulher chegou a casa com o filho e este pareceu-lhe um pouco perturbado. Exigiu saber o que se passava e a mulher deu-lhe conhecimento: "Fui apresentar o meu filho ao verdadeiro pai dele, e os dois portaram-se lindamente. Vê-se bem que ele nada deve aos teus genes".

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