INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página

Pele

Apenas duas semanas depois da erupção, os que haviam sido expulsos pelo vulcão voltaram ao lugar das suas casas sepultadas. Já não choravam, as únicas lágrimas que se permitiam agora eram as gotículas de suor dos seus corpos, porque tinham muito trabalho pela frente. Amontoaram escombros sem préstimo, ergueram paredes e telharam as casas improvisadas, criando em volta as primeiras hortas sobre a cinza fecunda do vulcão, e trabalhavam aí sentindo na planta dos pés o calor da terra. No meio deles, os cães e os porcos foçavam nos escombros desprezados, devorando deliciados, restos de cadáveres. "Como são capazes?" - perguntava uma repórter televisiva da cidade, menos preocupada com as respostas, do que com o vento que desmanchava o seu penteado. Encolhiam os ombros. O mesmo que dizer: "O vulcão não tem culpa, nós é que somos estupidamente frágeis".

Sem comentários:

Enviar um comentário

Rainha

                Subiu lesto os parcos degraus que separavam o átrio do hotel do recinto sobrelevado onde haviam instalado a receção. Ab...