INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página

Calhada

A jovem muito branca e muito esterlicadita, estava atrasada e tentava chegar o mais depressa possível à entrevista de emprego, ziguezagueando por entre as pessoas que caminhavam desencontradas no salão grande do aeroporto. Foi preciso apenas um carrinho de criança de puxar por uma corda, para iniciar a reacção em cadeia: tropeçou no carro, cambaleou, tentou apoiar-se num rasta, tropeçou na sua guitarra, chocou com uma mala com rodas e, aí, levantou voo, literalmente, sobre o ror de gente que descia na escada rolante, e ela rolando sobre elas, conhecendo carnalmente, com a cabeça, os braços, as coxas, muitas pessoas diferentes sem distinção de sexo, raça ou credo. Quando o seu corpo, depois de muitas piruetas e revoluções, aterrou no piso inferior em cima de uma floreira de jasmins (em cima dos jasmins, não da floreira), a moça compôs o cabelo e a saia, olhou o relógio e saiu correndo para os escritórios da Companhia. Causou muita boa impressão na entrevista, favorecida pela fragrância dos jasmins, e o entrevistador lhe afiançou que ela parecia ter uma aptidão natural para o trabalho de aeromoça.

2 comentários:

  1. Felizmente por aqui a imaginação tem um bom par de asas e voa sem limites!

    ResponderEliminar
  2. José Lopes10:30:00

    Obrigado! É um jogo de estímulo-resposta, neste post o estímulo encaixado foi aqule spot televisivo em que o Scolari fala nas diferenças de linguagem entre Portugal e Brasil - Aeromoça é uma palavra muito sugestiva...

    ResponderEliminar

Rainha

                Subiu lesto os parcos degraus que separavam o átrio do hotel do recinto sobrelevado onde haviam instalado a receção. Ab...