Reza e trabalha

O abade do Mosteiro de Alcobaça sentia crescer água na boca enquanto admirava a mesa farta: grandes cestos de pão cozido com farinha dos moinhos de Paredes, peixe trazido do porto da Pederneira, salgado em Alfeizerão com sal das suas marinhas e assado com requinte com ervas de tradição árabe, perdizes obtidas em dia de S. Miguel, cozidas com vinho e repousando sobre folhas de couve em pequenas travessas, porcos de carne tenra criados à solta nas matas dos coutos e assados no espeto, cestas de fruta grada da granja da Vestiaria, pudins de ovos e tartes dulcíssimas, vinho generoso obtidos com uva das vinhas da Cela, licores aromáticos confeccionados pelas freiras de Cós. Olhou os monges em volta da mesa e, em memória da austera frugalidade cisterciense, rezou uma oração breve com os lábios trémulos e impacientes. Não conseguindo esperar mais, rugiu:
- Eu começo primeiro, e vou-vos dar uma abada…

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«Tu és a mulher amada: destrói-me! Tua beleza /Corrói minha carne como um ácido! Teu signo / É o da destruição! Nada resta / Depois de ti ...