Economia

A nova vizinha do andar em frente. Mirou-a da sua varanda enquanto ela pendurava roupa com molas de madeira no estendal da marquise. Estava lá em baixo, quando ela se mudou. Um belo pedaço de mulher. Tinha um filho mais crescido com uns dez anos, um casal de gémeos com sete anos e um filho recém-nascido. Quatro filhos, na flor da idade. Aquele casal devia pensar que o Planeamento Familiar era o balanço das contas do mês, ou então, em vez de, simplesmente, constituir família, queria criar uma equipa de futebol. Ela olhou na sua direcção e ele cumprimentou-a respeitosamente com um menear da cabeça. Pelo sim, pelo não. Deve-se ser cordial com os vizinhos, sobretudo quando flectem repetidamente o tronco à nossa frente, com uns seios volumosos mal contidos por uma t’shirt justa. O estendal foi-se enchendo, baby-grows, fraldas de pano, roupas variegadas de criança, um bibe, umas calças de ganga, um toalhão de banho. Quando as varetas do estendal ficaram repletas, ela pareceu ficar pensativa. Depois, retirou todas as peças de roupa da última vareta e, no seu lugar, pôs a secar preservativos, usados e acabados de lavar.

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