Missão

O agente à paisana interceptou as duas senhoras quando estavam a sair de casa, vestidas de forma austera e com os cabelos apanhados no alto da cabeça, para que não se rebelassem ao vento - «Preciso de falar com vocês», sussurrou. Entraram para o jardim. O agente olhou para os muros altos em volta e continuou no mesmo tom de voz: «Vocês ainda se lembram de que foram testemunhas contra um dos mais perigosos criminosos deste país, um homem que tem na consciência a morte de dezenas de pessoas e que gere um negócio complexo de extorsão e lavagem de dinheiro. Porque as vossas vidas estavam ameaçadas, trouxemo-vos para este fim-de-mundo e providenciamos uma casa nova e novas identidades» - elas anuíram, parecendo não compreender porque ele lhes recordava isso - «Pois bem, à luz de tudo isso pedia-lhes que durante uns tempos alterassem um pouco as vossas rotinas e que deixassem de manter o vosso parzinho na rua a falar de religião e a distribuir revistas da “Sentinela”. Caso contrário, não posso continuar a garantir a vossa segurança ao abrigo do Programa de Protecção de Testemunhas».

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