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Equilibrar o Karma

Álibi.
Onde estava? Estava em tal e tal lugar, ocupadíssimo, durante todo o tempo de vigília e mesmo durante o sono, sonhando com o que me mantinha ocupado. O que fez até agora? Donativos para quem me pede, também costumo deixar um pouco de leite numa caneca de resina perto do contentor do lixo onde andam gatos a vaguear. E as pessoas? Falei-lhe nos donativos? Sim, falei! Também costumo comprar o Pirilampo Mágico e dar uma moeda para a luta contra doenças terminais, há dias, depois de ter atropelado uma velhinha, dei cinco euros a um arrumador pedrado! Cinco! O tipo ficou a pensar que era do transe. Tudo bem, mas e a humanidade em geral, a fome, a subnutrição de milhões de pessoas por todo o mundo, a falta de roupas e cuidados de saúde? Costumo assistir aos noticiários, sinto empatia, e há umas semanas doei um saco de roupa para Angola, era roupa de Inverno, camisolas de lã e cachecóis, mas eles devem encontrar alguma aplicação para isso, para vestir os mortos, por exemplo…também faço reciclagem do lixo doméstico, indirectamente, ajudando o planeta estou a ajudá-los a eles e aos filhos, não é? A minha mulher também costuma ajudar, dá o dízimo do que os dois ganhamos para ser entregue pelo pastor aos refugiados e espoliados, ela garante-me que vai directamente para lá e que Jesus não o deixa enganar-nos. Mais alguma coisa a declarar? Aristóteles, Aristóteles dizia que quando uma pessoa velha morria, era como se chegasse ao porto do destino. Vocês não vão implicar com o meu deslize sobre aquilo da velha, pois não? Afinal, eu fui uma espécie de rebocador, só lhe dei um pequeno empurrão até ao porto.

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...