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promessas

"Palavras, leva-as o vento" - redemoinhava ela nas suas cogitações, enrolando e desenrolando com os dedos o remoinho de cabelos do cocuruto do seu amado - "E a música, o pó, as vigas de ferro e as carrancas esculpidas na pedra. Somos madeixas de feno no olho de um tornado, um sonho soprado da memória no instante em que se acorda. Não me devias ter prometido nada, porque as palavras, por vezes, pousam em nós". Levantou-se da cabeceira do seu amado, sentindo-se asfixiar com o cheiro das flores e das velas, e olhou com um secreto desprezo a seita dele a velá-lo, a mulher chorosa e os familiares de negro. Eles nunca imaginariam a ternura que sentira ao acariciar-lhe os cabelos enquanto ele definhava aos seus pés, enroscado como uma cobra, tossindo e babando-se sob o efeito do veneno.

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