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O náufrago Ulisses

A sereia passeia-se pelas ruas, desmamando cordeiros, deita-se no escuro das vielas e enrola a cauda num doce amplexo, imprimindo nos núbeis quadris o desenho salgado das escamas, canta baixinho enquanto arfa e explode o marinheiro de primeira água que amolece a sua quilha no mar uterino. Navega, marinheiro, mas não bebas nos mamilos o leite do amor, que esse já tem um senhor. Rema, marinheiro, mas não te convenças que são teus os tesouros que alcanças, que esses palpitam no seio de um mar sem ouvidos que te expulsa sem prurido para uma praia agreste.

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