Explicação

No apartamento do quinto esquerdo do prédio, o menino teve uma visão fugaz: um esquilo. Estava na sala grande e viu um esquilo. Os pais e os irmãos mostraram-se incrédulos mas decidiram apurar os factos. Revolveram todas as divisões à procura do esquilo, espiolharam por baixo dos móveis, espreitaram roupeiros e gavetas, e nada de esquilo. O menino insistia, vira um esquilo, como aqueles do parque, e também tinha uma árvore. “Foi uma recordação” - afirmou o pai - “E pára de fazer isso com os olhos!”. O menino obedeceu, rodou para fora as pupilas que enfiara para dentro, e o esquilo evaporou-se.


2 comentários:

  1. E é de pupilas para dentro que as coisas são bem nítidas - que cada um no que é. Mas há os outros. E uma espécie de isso ser um certo mal.

    Gostei muito do texto.

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  2. José Lopes14:16:00

    É uma espécie de demência, o que vemos quando olhamos para dentro é o que é "real" para nós, mesmo quando os outros o descarnam e explicam.

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