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Uma sala de espera de consultório, apinhada, gente grande que se sente pequena quando está à espera, tricotando ansiedades e olhares. Entra uma mulher de idade carregada com sacos de mercearia e, naquele instante, como se tivesse uma mola, um jovem salta da cadeira onde estava sentado para lhe ceder o lugar.
"Sente-se aqui, minha senhora, tenha a bondade!".
Mas a senhora sentiu-se constrangida:
"Não, deixe estar, o senhor é capaz de estar cansado, e eu já estou habituada...".
"Não! - exclamou - Por amor de Deus. Nem me ficava bem, o lugar é seu, seria uma falta de respeito se fosse de outra forma" - e reforçou o oferecimento, ajudando-a com os sacos. A mulher, de pernas grossas e cheias de varizes, lá tomou posse do lugar, com o suor a escorrer-lhe pelas têmporas. O cavalheiro foi-lhe buscar um copo de água à máquina, que ela aceitou, comovida com o gesto. E o homem continuou na sua simpatia missionária, ofereceu a sua vez a um velhote que tossia a nicotina dos pulmões, e envolveu os presentes em conversas de circunstância onde exibia a sua boa-educação e a rica colecção de lugares-comuns do seu discurso. Lá foi atendido, e quando entrou para o consultório, já todos o tratavam familiarmente como um amigo de muitos anos. Á saída, despediram-se dele com a mesma simpatia e reconhecimento, e a senhora a quem oferecera o lugar, acompanhou-o à rua, insistindo com ele para que aceitasse uma maçã ou uma notita pequena. Ele aceitou a nota, só para fazer o jeito, e agradeceu, emocionado.
- Encontrar gente como o senhor é um achado nos dias de hoje - disse-lhe ela - diga-me uma coisa, a sua mãe ainda é viva?
- É sim, minha senhora, graças a Deus!
- Ela deve ser uma mãe muito feliz por ter um filho como você.
- Estou certo que sim. A senhora devia ver a felicidade na cara dela quando a obriguei a ir para um Lar.

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...