I, Human

«Sim, doem-me as costas, vergadas de tantos trabalhos e cansaços, e tenho as mãos deformadas de manusear brinquedos numa linha de montagem, os meus ouvidos foram matraquilhados pelo barulho das máquinas e já não são o que eram - só consigo ouvir a música e os noticiários em altos berros. Ainda assim, faltam-me, pelo menos quarenta e três anos para a idade da reforma. Nessa altura, vai haver robots para estas tarefas repetitivas e massacrantes, e a nós, humanos, calharão os trabalhos menos rotineiros e mecânicos, como trazer os robots nas palminhas e carregá-los ao colo de um lado para o outro, e contar-lhes anedotas sobre pessoas estúpidas e fazer-lhes companhia no refeitório, porque serão demasiado preciosos para se deteriorarem e seria um prejuízo enorme para o país se entrassem de baixa ou ficassem deprimidos».

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