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excerto



Do conto "Quando eu morrer" de F. Cristóvão Ricardo:

"Quando eu morrer, quero que ponham a minha rua na minha caixa de fósforos.
Não cabe, senhor João!
Então, não ponham a palmeira, fica para a próxima vez.
Ponham a casa toda em que nasci na minha caixa de pinho ou de cartão e, atenção, não esqueçam a cisterna de se beber pelo balde ou com a mão.
(...) Ponham a mesa de cear para o pai cortar, solenemente, a melancia ou o melão.
Ponham aquela pedra da calçada que me feria o dedo do pé, sempre o mesmo dedo, sempre na mesma ferida.
Não ponham a coelheira da frente, não quero ver o dia em que, pela primeira vez, vi a morte no corpo dum coelho (...)"

(F. Cristóvão Ricardo, "Lendas Legendas - Contos", edição do autor, 2004, ISBN: 972-99104-1-3)

1 comentário:

  1. Já tinha lido este excerto. Ou passado por ele. Mas não tinha percebido como tinha gostado. Voltar atrás tem algumas vantagens.

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