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espiral

     Era Setembro e o sol brilhava e pela janela do avião fixou o seu olhar num miúdo negro vestido com uns calções velhos e uma camisa aberta com as abas atadas abaixo do umbigo saliente, sandálias nos pés e palhinha de capim ao canto da boca. Ele olhava vagamente o alcatrão e o movimento dos aviões, com os dedos duma mão na rede e a acenar vagamente com a outra. Foi uma imagem nítida, surpreendida quando o avião manobrou na pista antes de levantar voo. Foi a última memória que guardou de Moçambique quando partiu, há mais de trinta anos. Tem voado em círculos desde então.

1 comentário:

  1. Uma centena de palavras que parecem um guião de uma curta metragem. E as últimas seis são o diagnóstico de uma vida! Muito bom!

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