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O silêncio na casa é real e corpóreo, como os móveis e os objectos. Vem ataviado de adornos, como vagos pretextos, sons dormentes e imagens de televisão. Tomou o lugar das palavras e instalou-se no seu ninho, devorando-lhe as crias trémulas. Instalou-se, simplesmente. Move os membros deles nos gestos rotineiros e óbvios que não necessitam de explicação, alimenta distâncias com o magoado cansaço que os insulariza quando vagueiam pela casa como se ela não tivesse paredes nem fim, e quando andam com o ser e o corpo à deriva numa cama pequena demais para a solidão que sentem
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"Kathy, I'm lost", I said, though I knew she was sleeping.
(Paul Simon, "America")

2 comentários:

  1. E as palavras que nos nascem mesmo sem querermos, mesmo sabendo que serão devoradas pelo silêncio. As palavras que são já silêncio antes de serem ouvidas. Antes de não serm ouvidas.

    "I'm empty and aching and I don't know why"

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  2. coincid|encias, como diria o S]ergio Godinho.
    Esta semana, ]e essa m]usica que tenho na cabe;a< I-ve come to look for America. What are the odds de tu tamb]em estares a pensar nisso_ Viste recentemente o Almoust Famous_ *desculpa a pontua;\ao, mas este teclado ]e surrealista...

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