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O silêncio na casa é real e corpóreo, como os móveis e os objectos. Vem ataviado de adornos, como vagos pretextos, sons dormentes e imagens de televisão. Tomou o lugar das palavras e instalou-se no seu ninho, devorando-lhe as crias trémulas. Instalou-se, simplesmente. Move os membros deles nos gestos rotineiros e óbvios que não necessitam de explicação, alimenta distâncias com o magoado cansaço que os insulariza quando vagueiam pela casa como se ela não tivesse paredes nem fim, e quando andam com o ser e o corpo à deriva numa cama pequena demais para a solidão que sentem
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"Kathy, I'm lost", I said, though I knew she was sleeping.
(Paul Simon, "America")

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