aprender

Foi com o Braille, que o amor se fez luz. Quando começaram a namorar, ela queixava-se de que ele era só vaidade e não a compreendia, que era insensível e egoísta, que tinha tesão a mais e sentimentos a menos, e só procurava não perder muito tempo com ela. Foi por sugestão dela que experimentaram o Braille, um encontro após outro, os dois confiaram-se a uma intimidade cumulativa onde ele, como se fosse cego, percorria-a com as mãos tentando decifrar a linguagem da sua pele. Num labor paciente e apaixonado, foi desvendando os recantos e formas dos seu corpo, descobrindo versos que beijava e lambia, textos sudando desejo que encerrava nos braços. Foi com o Braille que tirou os olhos de si e aprendeu a vê-la.

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