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"Gostas de mim na mesma?"- perguntou ela, soltando uma risadinha nervosa e leve como o esvoaçar de uma pomba. A curva do seu pescoço parecia afeiçoada em marfim, mas um marfim vegetal, poroso, quente. Depositou ali um beijo em resposta. Ela, deitada na toalha, olhou por cima do ombro - "brincalhão" - exclamou enquanto a água pingava do seu torso molhado para a curva das nádegas. A luz do sol por entre as folhas da palmeira brincava na íris dos seus olhos como um círculo luminoso deambulando pelas cores de um vitral.
O seu rosto adorado já não tinha a frescura dos tempos em que se haviam conhecido. Haviam vivido longe um do outro, casado, tido filhos, até se encontrarem de novo. Ali, à beira daquela piscina de hotel, rodeados de pessoas estranhas, não havia famílias, nem filhos, nem angústias; nada de mais real do que o cheiro da relva ou o som da água. Ela ergueu o braço e puxou-o para si, sentindo aquele gelo sobre o seu corpo ensolarado. Ele mordiscou-lhe o lóbulo da orelha e murmurou: "Para sempre!". Ela riu-se novamente, era a frase murmurada dos primeiros tempos, da descoberta do desejo e dos corpos no segredo silencioso de um anexo de garagem. Abraçou-se a ele num frémito de emoção tentando lembrar-se de quantas horas haviam passado desde que tinham acabado de fazer amor.

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...