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Outros dados, e cartas, no final da página

Divagar, é preciso

As recordações antigas, como as fotos, adquirem uma coloração sépia e asséptica, seguros por cola resistente e cantinhos recortados às folhas de cartolina negra. Quando não se encontram lá, é porque se revoltaram, feridas e em fúria, esvaindo dentro de nós o veneno e o fel que sai das suas veias com o sangue.
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Baixar os braços não é crime. O mundo não cairá se não o carregarmos nas espaldas como Atlas, nem sairá da sua órbita se deixarmos de fixar o seu eixo-djed como Osíris. Devemos permitir-nos sentir cansaço e saturação, escolher estar longe de todos e procurar causas e coisas comezinhas e sem sentido. Baixar os braços não é crime, ainda que nos condenem por isso aqueles que nos julgam à distância, preguiçosos e acomodados como gatos gordos.
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Invejo as pessoas que vão para um lugar determinado e certo, um destino pré-concebido, um objectivo claro e iniludível. Guiam os seus carros, encarrilam as suas vidas, e galgam caminho com o ânimo pleno e a expressão confiante na perseguição dessa meta. Invejo as pessoas que não agem como eu, que persigo coisas vagas como um vagamundo, e nado contra a corrente para reaver destinos que suponho ter perdido no passado.

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...