visitante

Agora, ciciou, o suor perlando-se no ar gelado, a posse dá-se, tem a generosidade de quem dá e extravasa delírio, os braços dela anelam o seu torso procurando o calor negado por aquele jardim de Inverno, os seus corpos entrelaçados desafiam os elementos e as estrelas distantes, o prazer sacode os seus corpos em doces ondas enroladas que se quebram e desfazem. Depois a noite fecha-se, como eles se fecham nas suas roupas enregeladas. Com ela enovelada nos braços, transporta-a ao colo até à cadeira de rodas, onde a senta aconchegando-lhe a manta sobre as pernas com gestos ternos. Acocora-se ao seu lado, ela esboça um sorriso travesso e beija-lhe as mãos retendo-as entre as suas por longos minutos. Em seguida ele empurra a cadeira de rodas, entrando os dois no átrio aquecido e iluminado do grande Hospital.

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