Os fantasmas estão quietos, com esta chuva e a esta hora da noite não andam por aí, estão arrumados na estante da despensa entre a farinha de cozer pão e o saco de plástico com Erva de S.Roberto, ou engomados e dobrados nas gavetas da cômoda, cheirando a cânfora para não ganhar pulgas. Daí esta paz e esta solidão, este langor de água da chuva a marulhar nos telhados, esta tranquilidade absurda de objectos inertes e absolutos à minha volta. Quero que a paz vá para as urtigas. Não consigo escrever sem os meus fantasmas.

Mensagens populares deste blogue

A viagem

Abril de 1918 - o caminho para uma Primavera de sangue