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longe

Vivia há tanto tempo na cidade, que já não sabia o que era viver de outra forma. Mas, agora, com a indolência do Outono a instalar-se na sua vida, arranjou uma casinha onde se refugiar de quando em vez. Não era nenhuma mansão: uma casa pequena em pedra, restaurada, a trezentos metros do mar. Tinha todas as comodidades essenciais, e um alpendre aberto sobre os pinhais de árvores retorcidas pela maresia. Nas traseiras, rectângulos de terra arada para criar uns vegetais, e uma eira gigantesca onde se poderia sentar sob as estrelas nas noites amenas de Verão a beber um vinho abafado. E havia sempre a pesca, bastava palmilhar um carreiro de terra entre pinheiros e caniços, e tinha diante de si os rochedos batidos pelas ondas a prometer belas pescarias.
Não era muita coisa, mas era o que precisava para ir limpando a toxi-cidade do organismo.

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...