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longe

Vivia há tanto tempo na cidade, que já não sabia o que era viver de outra forma. Mas, agora, com a indolência do Outono a instalar-se na sua vida, arranjou uma casinha onde se refugiar de quando em vez. Não era nenhuma mansão: uma casa pequena em pedra, restaurada, a trezentos metros do mar. Tinha todas as comodidades essenciais, e um alpendre aberto sobre os pinhais de árvores retorcidas pela maresia. Nas traseiras, rectângulos de terra arada para criar uns vegetais, e uma eira gigantesca onde se poderia sentar sob as estrelas nas noites amenas de Verão a beber um vinho abafado. E havia sempre a pesca, bastava palmilhar um carreiro de terra entre pinheiros e caniços, e tinha diante de si os rochedos batidos pelas ondas a prometer belas pescarias.
Não era muita coisa, mas era o que precisava para ir limpando a toxi-cidade do organismo.

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. O meu sonho... que já quase realizei... mas não numa casita (que por aqui são caras, mesmo a cair de desmazelo...)

    Mas vejo o mar do alto do meu duplex, num lugarejo junto ao mar e longe do bulício da cidade... mas não, para de vez em quando... para sempre... pelo menos enquanto não aparecer a tal casita de pedra...

    :)

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  3. não era muita coisa??

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  4. Na terminologia de Mia Couto, este homem é um abensonhado

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