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Esperança no futuro

Ela sempre dissera ao marido que viria um dia em que ele não quereria sair de casa, e ele ria-se. O marido andava com outras, e ela esperava, esperou sempre, ignorando o escárnio, a presença dalguma delas nas festas da empresa, as mudanças de humor do marido e o seu desprezo mal-contido. Ela já não era nova, não tinha a beleza, a pele fresca nem as nádegas firmes das suas amantes, era uma mulher cada vez mais velha e amarga que esperava a sua hora. Enquanto esperava ia trabalhando, mezinhas da bruxa misturadas na sua comida, um envenenamento ténue que ia retirando o seu vigor e a sua força. O seu tempo chegaria, o tempo de cuidar do seu marido sem mais ninguém a fazer-lhe sombra, preparando-lhe a comida e a cama e empurrando-o docemente numa cadeira de rodas.

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...