deixa

Não via o irmão muitas vezes, ainda que calcorreasse muitas vezes as ruas a tentar arranjar umas moedas com os estacionamentos ou a ir comprar a sua dose da ordem. Mas o irmão não se desmanchava, com o seu fato e gravata de vendedor ambulante e o seu ar aprumado e perfumado. Oferecia-lhe sempre uma cerveja porque sabia que ele a bebia, fosse qual fosse a hora do dia ou da noite. Até era simpático da parte dele, bebia um café ao seu lado enquanto ele virava uma imperial, depois pagava com uma nota pequena e deixava-lhe o troco. Era uma rotina inflexível, como a frase que ele usava sempre que se despediam: "Está tudo bem, não está?"

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