deixa

Não via o irmão muitas vezes, ainda que calcorreasse muitas vezes as ruas a tentar arranjar umas moedas com os estacionamentos ou a ir comprar a sua dose da ordem. Mas o irmão não se desmanchava, com o seu fato e gravata de vendedor ambulante e o seu ar aprumado e perfumado. Oferecia-lhe sempre uma cerveja porque sabia que ele a bebia, fosse qual fosse a hora do dia ou da noite. Até era simpático da parte dele, bebia um café ao seu lado enquanto ele virava uma imperial, depois pagava com uma nota pequena e deixava-lhe o troco. Era uma rotina inflexível, como a frase que ele usava sempre que se despediam: "Está tudo bem, não está?"

3 comentários:

  1. "Está tudo bem, não está?"

    Seria isso que ele queria ouvir?

    ;)

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  2. As perguntas que não pedem resposta são as mais cómodas

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  3. estes "não está?" normalmente já são em rotação de 180º. é tão clássico, este post. triste só como as realidades podem ser...

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