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NomedeRa

"Jatabarama !" - chamei. Ele me olhou assustado - "Por favor, não gaste o meu nome, o meu nome é a minha força vital" - explicou, apanhando do chão uma unha quebrada que acabara de cair - "De cada vez que o pronunciam, a minha decadência acentua-se". Abriu a mão larga e enrugada e fê-la tocar a testa onde a pele se escamava, os seus cabelos eram ralos e enfermiços, e as pernas arqueadas, mal sustentando o peso do corpo nos ossos podres. Enquanto isso, o eco da minha voz nas paredes da ruela, repetia a agressão: "Jatabarama...Jatabarama" enquanto o pobre diabo se contorcia com dores atrozes e caía redondo no chão aos meus pés. Ajudei-o a levantar-se. Muito lívido de uma lividez que contrastava com o fio de sangue que lhe corria dos lábios, sussurrou-me: "Você não me conhece e não conhece o meu nome. Quando quiser me nomear, use nome de cantor pimba como Micael, ou Anthony Mendes. Vou passar a usar peruca e bigode postiço para não me reconhecerem". Concordei com uma ressalva: "As pessoas o conhecem pela sua voz e pelo seu andar de cowboy com hemorróidas". Negou: "Não, não por muito tempo, as palavras na minha garganta tem os sons contados e ninguém me vai reconhecer pelo andar quando deslizar numa bela cadeira de rodas".

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