Dá-nos tempo, Darwin, espera umas quantas gerações, e verás que nos crescerá um pescoço de girafa por andarmos sempre a espreitar por cima dos muros e da linha do horizonte, e asas, asas? Asas não sei, que para isso se inventaram os versos, talvez guelras, porque o mar está sempre a chamar-nos de volta e o chamamento do mar não cabe em nenhum poema,
Dá-nos tempo, Darwin, e seremos translúcidos como o fio de seda humedecido por uma gota de orvalho, e seremos maiores porque o nosso coração crescerá dentro de nós e terá em volta olhículos e dendrites como braços microscópicos, por viver espantado com o mundo em volta, tomado de amores pelo cume das montanhas e as estrelas do céu,
Dá-nos tempo, Darwin, dá-nos tempo que, um dia, ainda nos tornaremos homens...


4 comentários:
que belo!!!
vou copiar.
(é uma honra ;)
Lindo demais, coisa boa de se ler. Por ti, Darwin não mais precisa esperar!
Simples, perfeito, lindo. Um chamar a atenção para a n/ dimensão que passa despercebida na nossa pequenez.
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