Um homem caminha no deserto, erodido pela marcha e pelo calor, tem sede, quando ergue os olhos vê uma cidade com muralhas e minaretes que parece suspensa das dunas, está certo de que é uma miragem, uma iusão dos sentidos, mas sente-a como uma coisa real, distingue inumeráveis pormenores, edifícios e pessoas, e até ouve o riso das cortesãs e os gritos dos pregoeiros, e delicia-se com o murmúrio precioso da água das fontes. Com medo que a miragem se esfume, fecha os olhos e continua a caminhar no sentido dos sons, os pés a enterrarem-se e erguerem-se com esforço na areia solta.
Sempre de olhos fechados embate numa superfície dura e abre os olhos, é a muralha, caminha ao seu lado até encontrar os portões da cidade, por onde entra, a cidade está ali, mas não tem ninguém, conserva as suas praças e casas e minaretes e pátios, mas está vazia. Não há água nos tanques das fontes, e nas cisternas, e nem uma pérola de água num lajedo na sombra ou no beiral de um telhado.
Fecha novamente os olhos mas, desta vez, pressiona os ouvidos com as palmas das mãos.
Quando reabre os olhos, mas dentro da sua surdez voluntária, consegue ver as pessoas que caminham à sua volta, mercadores e crianças, guerreiros e imãs, vê também odaliscas, a banharem-se nuas nos tanques das fontes, e é para aí que se encaminha, com a sua sede e a sede do desejo.
Sempre de olhos fechados embate numa superfície dura e abre os olhos, é a muralha, caminha ao seu lado até encontrar os portões da cidade, por onde entra, a cidade está ali, mas não tem ninguém, conserva as suas praças e casas e minaretes e pátios, mas está vazia. Não há água nos tanques das fontes, e nas cisternas, e nem uma pérola de água num lajedo na sombra ou no beiral de um telhado.
Fecha novamente os olhos mas, desta vez, pressiona os ouvidos com as palmas das mãos.
Quando reabre os olhos, mas dentro da sua surdez voluntária, consegue ver as pessoas que caminham à sua volta, mercadores e crianças, guerreiros e imãs, vê também odaliscas, a banharem-se nuas nos tanques das fontes, e é para aí que se encaminha, com a sua sede e a sede do desejo.


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